O Cobaci 2026 foi um sucesso!

O Cobaci 2026 foi um sucesso!

COBACI 2026 reúne especialistas em Camboriú e reforça papel da auditoria interna na geração de valor público

Promovido pela Unamec em parceria com o Instituto Federal Catarinense, Congresso debateu participação cidadã, transformação digital, maturidade, qualidade e futuro da auditoria e do controle interno. Evento também prestou homenagem a Leandro de Brum.

Entre os dias 12 e 14 de agosto, em Camboriú (SC), profissionais de auditoria, controle, governança e gestão pública de diferentes regiões do país estiveram reunidos no Congresso Brasileiro de Auditoria e Controle Interno – COBACI 2026. Promovido pela Unamec, em parceria com o Instituto Federal Catarinense (IFC), o evento teve como tema “A Auditoria Interna como Agente do Valor Público: Unindo Conformidade e Desempenho para a Melhoria dos Serviços ao Cidadão”.

Ao longo de três dias, a programação combinou palestras, painéis, apresentação de experiências práticas e momentos de integração entre os participantes. O eixo comum das discussões foi a necessidade de ampliar o olhar da auditoria para além da conformidade, fortalecendo sua capacidade de compreender os resultados das políticas e dos serviços públicos e de incorporar, cada vez mais, a perspectiva do cidadão.

Participação cidadã dá o tom da abertura

A solenidade de abertura reuniu representantes da Unamec, do Instituto Federal Catarinense, do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério da Educação, entre outras instituições, reafirmando o caráter colaborativo e interinstitucional do Congresso.

A primeira grande reflexão do COBACI ficou a cargo de Waldemir Paulino Paschoiotto, secretário-adjunto de Relações Institucionais do TCU, com a palestra “Participação cidadã e auditoria: precisamos falar disso?”.

Em sua apresentação, Waldemir tratou a participação cidadã não apenas como uma agenda de aproximação social, mas como elemento técnico capaz de ampliar a qualidade do trabalho de auditoria. A perspectiva de quem utiliza o serviço público pode revelar evidências que os processos administrativos não registram, sinalizar riscos por meio de reclamações e manifestações recorrentes e ampliar a legitimidade das avaliações realizadas pelas instituições de controle.

Ao apresentar experiências recentes de participação cidadã em fiscalizações do TCU, o palestrante provocou os participantes a levarem a discussão para a prática cotidiana das unidades de auditoria, inclusive no planejamento dos trabalhos e na identificação dos temas que realmente afetam os usuários dos serviços públicos. Ao final, deixou um desafio para os congressistas: mais do que continuar discutindo participação, é preciso começar a incorporá-la efetivamente às práticas de auditoria.

Unamec homenageia Leandro de Brum

O primeiro dia do COBACI também foi marcado por um momento especial de reconhecimento. A Diretoria da Unamec prestou homenagem a Leandro de Brum, destacando sua contribuição ao fortalecimento da auditoria interna governamental nas Instituições Federais de Ensino.

A homenagem ressaltou o apoio e a valorização que Leandro sempre dedicou ao trabalho desenvolvido pelas auditorias internas, além de sua permanente disposição para o diálogo e para a escuta das demandas dos profissionais da área. A Unamec reconheceu especialmente sua atuação como interlocutor sensível às dificuldades e aos desafios enfrentados pelas unidades de auditoria, contribuindo para a construção de relações institucionais baseadas em confiança, cooperação e respeito.

A escolha do COBACI para a homenagem tornou o momento ainda mais significativo. Em uma edição voltada justamente à melhoria dos serviços públicos e à geração de valor para a sociedade, a trajetória de Leandro foi lembrada como exemplo de atuação comprometida com o fortalecimento institucional e com a busca por melhores entregas públicas.

A placa de homenagem foi entregue pelo presidente da Unamec, Paulo Marcelo Santana Barbosa, e pela primeira presidente da Associação, Débora Barcelos, como expressão do reconhecimento dos auditores e auditoras das Instituições Federais de Ensino pela parceria construída ao longo dos anos.

Cidadão, confiança e transformação digital no centro dos debates

O segundo dia concentrou uma programação diversificada, iniciada pela palestra “Considerando o cidadão para melhorar a entrega pública”, com Guilherme Alexandre Monteiro Reinaldo, Superintendente de Governo Digital da Secretaria de Administração de Pernambuco.

A experiência apresentada mostrou como “cidadão-centrismo”, transformação digital e geração de valor público podem caminhar juntos. Guilherme apresentou a lógica adotada em Pernambuco, segundo a qual o valor público constitui o objetivo, o cidadão orienta o desenho das soluções e a transformação digital funciona como estratégia para tornar melhores serviços uma realidade.

Entre as experiências abordadas esteve o Programa Agentes Digitais, estruturado para desenvolver projetos estratégicos de transformação digital e, ao mesmo tempo, capacitar servidores em metodologias ágeis e no desenvolvimento de soluções orientadas às necessidades dos cidadãos.

Na sequência, o painel “Auditoria Interna e cidadãos: ações de aproximação” reuniu Maria Teodora Rocha Maia do Amaral, auditora-chefe da Ufersa, e Diocésio Sant’Anna, coordenador de auditoria no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Maria Teodora apresentou a experiência da Ufersa na construção de credibilidade da auditoria junto à comunidade acadêmica. A abordagem parte da compreensão de que confiança não é simplesmente declarada: ela precisa ser construída por meio de previsibilidade, comunicação, escuta ativa, consultas à comunidade e aproximação com os diferentes públicos da instituição. Sua exposição mostrou, entre outras iniciativas, consultas e visitas aos campi como instrumentos para captar percepções e demandas da comunidade acadêmica.

Diocésio, por sua vez, discutiu formas de aproximar auditoria e cidadão e relacionou a atuação da auditoria operacional ao processo de geração de valor público, conectando necessidades sociais, políticas públicas, resultados e impactos.

Controle institucional e controle social

No período da tarde, o painel “Auditoria e Participação Cidadã: integrando controle institucional e controle social” reuniu Rosemary Zucareli, da CGU, e Bruno Affonso, Auditor Federal de Finanças e Controle e Ouvidor do Ministério das Comunicações.

Rosemary apresentou experiências em que a participação da sociedade é incorporada às ações de controle, entre elas o Projeto Olhos da Escola, demonstrando como a comunidade pode fornecer informações relevantes sobre segurança, impactos, funcionalidade e execução de obras públicas. A proposta não substitui a fiscalização técnica, mas a fortalece ao incorporar o conhecimento de quem vivencia diretamente a realidade do serviço ou da política pública.

Bruno Affonso trouxe à discussão a necessidade de a auditoria ir “além da tela”, recuperando o valor da observação e da experiência concreta. Entre as propostas apresentadas esteve a chamada “Prova de Chão”, com retorno estratégico ao trabalho de campo e construção de testes que permitam ao auditor vivenciar, de forma estruturada, a experiência do usuário da política pública.

Maturidade e qualidade dos serviços de auditoria

O segundo dia terminou com o painel “Os modelos de maturidade e certificações e a melhoria da prestação dos serviços de auditoria”, com Josiane Fernandes Oliveira, Auditora do IFNMG, e Valterney Ferreira Cordão Junior, gerente de Auditoria Interna da Sanepar, sob mediação de Eduardo Pardini.

A discussão trouxe uma questão central para as unidades de auditoria: mais do que alcançar uma classificação ou obter uma certificação, desenvolver maturidade significa construir capacidade institucional para prestar serviços de auditoria de qualidade de maneira consistente. A apresentação de Josiane abordou o IA-CM como instrumento para diagnosticar capacidades e orientar processos contínuos de evolução, partindo da premissa de que o nível alcançado é um diagnóstico, enquanto a melhoria deve ser o objetivo permanente.

Valterney compartilhou a experiência da Sanepar com o Quality Assessment do IIA, apresentando desafios e benefícios do processo de certificação. Entre os resultados destacados estiveram o aprimoramento da qualidade e da efetividade dos serviços, o desenvolvimento da equipe, o fortalecimento da governança e o aumento da credibilidade da auditoria interna perante as instâncias de governança e demais partes interessadas.

O futuro do controle e uma nova mentalidade para a auditoria

O terceiro e último dia começou com a participação do ministro do Tribunal de Contas da União Odair Cunha, que proferiu a palestra “A participação da sociedade e o controle externo: o futuro”. A exposição ampliou o debate construído durante o Congresso ao tratar dos caminhos futuros do controle externo e da importância crescente da participação social nessa agenda.

Em seguida, Eduardo Person Pardini apresentou “Virando a chave — O novo mindset da auditoria interna para a geração de valor público”. Em um cenário marcado por riscos intangíveis, transformação tecnológica, inteligência artificial, grande volume de dados e estruturas organizacionais mais ágeis, Pardini defendeu uma auditoria voltada também para o futuro, capaz de oferecer aconselhamento, insights e visão prospectiva e de contribuir para criar, proteger e sustentar valor.

O encerramento do ciclo de palestras ficou com Rodrigo Fontenelle de Araujo Miranda, Controlador-Geral do Estado de São Paulo, com “A Auditoria Interna que a Sociedade Espera: Compromissos, Caminhos e Futuro”. A apresentação retomou uma das mensagens centrais do COBACI: para o cidadão, as diferentes estruturas de controle não são um fim em si mesmas — o que importa são os resultados produzidos. Fontenelle destacou a confiança nas instituições como ativo fundamental da Administração Pública e situou os profissionais de controle como agentes técnicos e éticos comprometidos com eficiência, integridade e transparência.

Três dias de aprendizado, diálogo e integração

Mais do que uma sequência de exposições técnicas, o COBACI 2026 foi construído como espaço de intercâmbio entre profissionais e instituições. Segundo o Auditor da UFRRJ, Raphael Duarte “O COBACI já se consolidou como um evento fundamental no calendário de encontros sobre Auditoria e Controle Interno Públicos, oportunizando aos participantes um ambiente de fomento ao networking, desenvolvimento de boas práticas e debates de temas atuais e essenciais aos profissionais da área. Foram três dias intensos de convivência e intercâmbio entre Auditores de todo o Brasil. Ao fim, levarei comigo o conhecimento auferido e a motivação inspirada por tantos colegas incríveis.” Cafés de boas-vindas, intervalos e momentos de interação complementaram a programação e favoreceram a troca de experiências entre auditores de diferentes organizações e regiões do país.

Ao final dos três dias, uma mensagem atravessou os diferentes painéis e palestras: uma auditoria que pretende gerar valor público precisa conhecer riscos e controles, mas também compreender pessoas, resultados e a realidade vivenciada por quem recebe os serviços públicos. 

Participação cidadã, maturidade institucional, transformação digital, qualidade, confiança, cooperação e visão de futuro apareceram, assim, não como temas isolados, mas como partes de uma mesma agenda de evolução da atividade.

O COBACI 2026 encerrou sua programação reafirmando o compromisso da Unamec com o fortalecimento das unidades de auditoria interna, com a qualificação de seus profissionais e com uma atuação de controle cada vez mais capaz de contribuir para melhores instituições, melhores serviços públicos e melhores entregas à sociedade.

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